sábado, 30 de julho de 2011

E tudo começou com... (II)

Sabe aqueles dias em que você sai correndo de um lado pro outro, todo estabanado, sem saber pra que lado ir? Pois é... foi assim que fiquei depois que eu e J. decidimos viajar de férias pra Europa.
Eu era completamente leiga no que dizia respeito às providências necessárias numa viagem dessa categoria. Passaporte? Ainda não tinha. Disseram que eu precisava agendar a ida à Polícia Federal com urgência, ou correria o risco de perder o prazo pra tirar o meu e não conseguir viajar. 
Bom, sou partidária da ideia de que, se você não sabe algo, tem de meter as caras e aprender. 
Entrei no site da PF, li as recomendações, vi a lista de documentos. Preenchi o cadastro, agendei a visita, peguei o endereço, imprimi a guia de recolhimento pra pagar no banco... #NOT# Não conseguia gerar a guia de jeito nenhum!!!! 
Revi as configurações do computador (quem me conhece sabe que sou péssima nesse lance de tecnologia), tentei do trabalho. Nada. Meu Deus! E agora? Como ia levar a guia paga se não conseguia gerar a maledeta??? O pior é que não existia outra maneira. Sem guia, sem passaporte. 
A luz veio da M., uma colega de trabalho muito bacana. Ela me ensinou a desbloquear uns troços (não sei o que, não me perguntem) que impediam a geração do boleto. Isso feito, reuni, toda feliz, a documentação necessária. Só ia ficar faltando a certidão de casamento com averbação de separação. No dia, ainda pensei: "Preciso me lembrar de passar pelo cartório". E deletei a informação do meu cérebro logo em seguida.


Pausa pra explicar a quem nunca se casou: se o seu nome já foi alterado por questões de matrimônio, você precisa provar à PF que o nome de solteira voltou a valer. Como eles sabem disso? Pela certidão de casamento averbada, em cujo verso há uma declaração dizendo que você se casou, mudou de nome, se separou e voltou a usar o nome de solteira. Puta trampo, mas não tem jeito. Ossos da burocracia...

No dia agendado para a visita à PF, saí mais cedo de casa, peguei um táxi e fui levar a documentação. Chego ao balcão, o funcionário me aponta a fila. Quando ia entregar a senha ao rapaz que encaminha as pessoas à salinha onde fazem a "ficha" para o passaporte, o cara me pergunta: "A senhora já mudou de nome?"; "Já"; "Trouxe a certidão averbada?"; "Errr... não!"; "Então nada feito."; "Mas moço... e agora? Vim do Tucuruvi, é longe... o que faço?". Compadecido da minha situação, ele apontou o funcionário do balcão. "Moço, não dá pra quebrar o galho? Moro longe..."; "Não... mas se a senhora trouxer o documento hoje, seguro seu agendamento".
Saí despirocada do prédio da PF e entrei no táxi: "Paulo, pro cartório do Tucuruvi". Nessa altura do campeonato, a corrida já estava dando uns 100 reais, porque ele estava me esperando. Mas não tive dúvidas: é hoje que faço esse passaporte ou não me chamo AVM!!! 
Trânsito travado na Marginal Tietê, uma vontade doida de me matar por ter me esquecido completamente do documento bem no dia da entrevista, correndo contra o tempo porque ainda precisava ir pro trabalho... ai, ai, ai... =(
Cheguei ao cartório esbaforida e descabelada. Vazio. Não, vazio não. Tinha umas três pessoas na minha frente. Bom, pra um cartório de SP às 11h estava ótimo! Peguei a senha e sentei numa das cadeiras. Do meu lado direito, um homem insistia em ficar me olhando fixamente. Comecei a amaldiçoar mentalmente o funcionário lerdo, que ficava olhando pra tela do computador e não chamava o nome de ninguém.
Finalmente, uma voz vinda do balcão chamou o meu nome. Dei os meus dados e os do meu ex-marido e ele se pôs a procurar num caderno que mais parecia o livro de presenças da Santa Ceia os dados do casório. Ainda bem que tudo está informatizado: a certidão com a averbação saiu em 5 minutos. Aí era só esperar o funcionário carimbar e assinar. 
Mais 20 minutos só nisso. "Dona Andréa...". Peguei o papel da mão do moço e saí feito louca. De volta ao táxi, implorei: "P., corre!". E lá fomos nós, Marginal do Tietê de uma ponta a outra. Prédio da PF. Fila. Entrevista. Scan dos dedos. Comprovante pra retirada dali a 10 dias. Saí do prédio feliz e saltitante por ter dado tudo certo. Entrei no táxi, cuja corrida já virava os 200. E eu ainda precisava ir até a Bela Vista, onde trabalho... $$$$$
A viagem já começou custando caro...

quinta-feira, 28 de julho de 2011

E tudo começou com... (I)




... um comentário e uma pergunta: "Vou tirar férias em agosto e pensei em viajar pra Europa. Vamos?". Bateu uma mistura de entusiasmo com pânico. Engoli a seco e respondi, de pronto: "Vambora!". 
Sempre quis conhecer o mundo! Planejei anos e anos e anos, mas nada dava certo. Era a grana que não sobrava. Era uma emergência que aparecia e me fazia mudar de planos. Era a carreira que ocupava quase todo o meu tempo. Era a recusa em abandonar, por alguns dias que fosse, a minha filha pra sair em busca de novidade em outros cantos do planeta.

A pergunta, naquele momento puro devaneio - nenhuma das duas tinha dinheiro nem pra comprar a passagem - me deu uma comichão que deve ser, imagino eu, o que move os turistas de plantão. Tudo ganhou outra dimensão: a vontade de trabalhar pra pagar as despesas da ida a outro continente aumentou, assim como cresceu a curiosidade pelas culturas que planejávamos, timidamente mas com a maior coragem, alcançar.
J., minha amiga há uns 15 anos, embora bem mais nova do que eu, já tinha alguma experiência com essa coisa de viajar: conhecia a Austrália, Buenos Aires. Europa ainda não; era a primeira vez. Eu não sabia nem como se tirava um passaporte, que moeda precisava levar, que tipo de hotel escolher... Nadica de nada! Pânico absoluto: "E se..."; "Ai, mas..."; "Como se faz pra...". Tantas perguntas, um medo danado de fazer alguma coisa errada e a viagem não rolar!! Não fosse J., eu provavelmente ia passar por muitos apuros até chegar aos finalmentes.E o destino? Folheando um guia de uma agência de viagens, a CVC, J. me mostrou pela primeira vez o que se tornaria meu objeto de consumo nos meses seguintes: Londres, norte da Inglaterra, Escócia, Dublin. Era bom demais pra ser verdade! Ao mesmo tempo, tudo estava tão distante - era março, e a viagem só poderia rolar em agosto, porque ambas estávamos ocupadíssimas com os respectivos trabalhos. Uma terceira amiga, que infelizmente teve de desistir da viagem por motivos que depois vou registrar aqui, também só ia conseguir tirar férias em agosto. Batemos o martelo, então: agosto seria o mês da realização de sonhos loucos. 
Que viesse a Europa!